Exame de urina é um artigo onde você vai compreender tudo sobre este assunto. Depois desta leitura, você estará apto a interpretar o seu exame de urina e conhecer o significado da análise de urina. Como coletar e tipos de urina usados para exames laboratoriais, são questões que iremos abordar neste texto. Para colher uma amostra de urina que represente o estado metabólico do paciente, é necessário controlar certos aspectos da coleta, hora, duração, dieta e medicamentos ingeridos e métodos da coleta. Saber como colher a urina certa para o exame solicitado pelo médico, é importante para que o resultado seja o mais fidedigno possível. Vários nomes são usados para se referirem a este tipo de análise: Urina I, EAS, parcial de urina, sumário de urina, exame de urina e outros.
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Urocultura Hematúria Urina de 24 horas Urina com sangue Exame de urina gravidez EAS Exame de urina I
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O Exame de urina tipo
1 ou EAS é divido em
duas partes. A primeira é feita através
de reações químicas e a segunda por
visualização de gotas da urina pelo
microscópio. Através destas reações e com o complemento do exame microscópico, podemos detectar a presença e a quantidade dos seguintes dados da urina: |
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-
Densidade |
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Os resultados do
dipstick são qualitativos e não
quantitativos, isto é, a fita identifica
a presença dessas substâncias citadas
acima, mas a quantificação é apenas
aproximada. O resultado é normalmente
fornecido em uma graduação de cruzes de
1 a 4. Por exemplo: uma urina com
"proteínas 4+" apresenta grande
quantidade de proteínas; uma urina com
"proteínas 1+" apresenta pequena
quantidade de proteínas. Quando a
concentração é muito pequena, alguns
laboratórios fornecem o resultado como
"traços de proteínas".
Vamos, então, aos valores de referência:
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a) Densidade no exame de urina: A densidade indica a concentração das substâncias sólidas diluídas na urina, sais minerais na sua maioria. Quanto menos água houver na urina, maior será sua densidade. |
b) pH no exame de urina:
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A urina é naturalmente ácida, já que o rim é o principal meio de eliminação dos ácidos do organismo. Enquanto o pH do sangue costuma estar em torno de 7,4, o pH da urina varia entre 5,5 e 7,0, ou seja, bem mais ácida. Valores de pH maiores ou igual 7 podem indicar a
presença de bactérias que alcalinizam a urina.
Valores menores que 5,5 podem indicar acidose no
sangue ou doença nos túbulos renais. |
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c) Glicose no exame de urina:
Toda a glicose que é filtrada nos rins é
reabsorvida de volta para o sangue pelo túbulos
renais. Deste modo, o normal é não apresentar
evidências de glicose na urina.
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A presença de glicose na urina é um forte
indício de que os níveis sanguíneos estão altos.
É muito comum pessoas com diabetes mellitus
apresentarem perda de glicose pela urina. Isto
ocorre porque a quantidade de açúcar no sangue
está tão alta, que parte deste acaba saindo pela
urina. Quando os níveis de glicose no sangue
estão acima de 200 mg/dl, geralmente há perda na
urina. A presença de glicose na urina sem que o indivíduo tenha diabetes costuma ser um sinal de doença nos túbulos renais. Isso significa que apesar de não haver excesso de glicose na urina, os rins não conseguem impedir sua perda. |
Basicamente, a presença de glicose na urina indica excesso de glicose no sangue ou doença dos rins.
d) Proteínas no exame de urina:
A maioria das proteínas não são filtradas pelo
rim, por isso, em situações normais, não devem
estar presentes na urina. Na verdade, existe
apenas uma pequena quantidade de proteínas na
urina, mas são tão poucas que não costumam ser
detectadas pelo teste da fita. Portanto, uma
urina normal não possui proteínas.
Existem 2 maneiras de se apresentar o resultado
das proteínas na urina: em cruzes ou uma
estimativa em mg/dL:
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Ausência = menos que 10 mg/dL (valor normal) Traços = entre 10 e 30 mg/dL 1+ = 30 mg/dl 2+ = 40 a 100 mg/dL 3+ = 150 a 350 mg/dL 4+ = Maior que 500 mg/dL A presença de proteínas na urina se chama proteinúria, pode indicar doença renal e deve ser sempre investigada. O exame da urina de 24h é normalmente feito para se quantificar com exatidão a quantidade de proteínas que se está perdendo na urina. |
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e) Hemácias na urina / hemoglobina na urina /
sangue na urina:
Assim como nas proteínas, a quantidade de
hemácias (glóbulos vermelhos) na urina é
desprezível e não consegue ser detectada pelo
exame da fita. Mais uma vez, os resultados
costumam ser fornecidos em cruzes. O normal é
haver ausência de hemácias (hemoglobina).
Como as hemácias são células, elas podem ser
vistas com um microscópio. Deste modo, além do
teste da fita, também podemos procurar por
hemácias diretamente pelo exame microscópico,
uma técnica chamada de sedimentoscopia. Através
do microscópio consegue-se detectar qualquer
presença de sangue, mesmo quantidades mínimas
não detectadas pela fita.
Neste caso, os valores normais são descritos de
duas maneiras:
- Menos que 3 a 5 hemácias por campo ou menos
que 10.000 células por mL
A presença de sangue na urina chama-se hematúria
e pode ocorrer por diversas doenças, como
infecções, pedras nos rins e doenças renais
graves. Um resultado falso positivo de urina com
sangue pode acontecer nas mulheres que colhem
urina enquanto estão no período menstrual.
Uma vez detectada a hematúria, o próximo passo é
avaliar a forma das hemácias em um exame chamado
"pesquisa de dismorfismo eritrocitário". As
hemácias dismórficas são hemácias com morfologia
alterada, comum em algumas doenças como a
glomerulonefrite. É possível haver pequenas
quantidades de hemácias dismórficas na urina sem
que isso tenha relevância clínica. Apenas
valores acima de 40 a 50% costumam ser
considerados relevantes.
Não é todo laboratório que possui gente
capacitada para executar esse exame. Por isso,
muitas vezes ele não é feito automaticamente. É
preciso o médico solicitar especificamente essa
avaliação.
f) Leucócitos ou piócitos no exame de urina:
Os leucócitos, também chamados de piócitos, são
os glóbulos brancos, nossas células de defesa. A
presença de leucócitos na urina costuma indicar
que há alguma inflamação nas vias urinárias. Em
geral, sugere infecção urinária, mas pode estar
presente em várias outras situações, como
traumas, uso de substâncias irritantes ou
qualquer outra inflamação não causada por um
agente infeccioso. Podemos simplificar e dizer
que leucócitos na urina significa pus na urina.
Como também são células, os leucócitos podem ser
contados na sedimentoscopia. Valores normais
estão abaixo dos 10.000 células por mL ou 5
células por campo
Alguns dipsticks apresentam um quadradinho para
detecção de leucócitos, normalmente o resultado
vem descrito como "esterase leucocitária". O
normal é estar negativo.
g) Cetonas ou corpos cetônicos no exame de
urina:
Os corpos cetônicos são produtos da
metabolização das gorduras. Normalmente não
estão presentes na urina. A sua detecção pelo
dipstik pode indicar diabetes mellitus mal
controlado ou jejum prolongado.
h) Urobilinogênio e bilirrubina no exame de
urina:
Também normalmente ausentes na urina, podem
indicar doença hepática (fígado) ou hemólise
(destruição anormal das hemácias). A bilirrubina
só costuma aparecer na urina quando os seus
níveis sanguíneos ultrapassam 1,5 mg/dL. O
urobilinogênio pode estar presente em pequenas
quantidades sem que isso tenha relevância
clínica.
i) Nitritos no exame de urina:
A urina é rica em nitratos. A presença de
bactérias na urina transforma esses nitratos em
nitritos. Portanto, fita com nitrito positivos é
um sinal indireto da presença de bactérias. Nem
todas as bactérias tem a capacidade de
metabolizar o nitrato, por isso, exame de urina
com nitrito negativo de forma alguma descarta
infecção urinária.
Na verdade, o EAS apenas sugere infecção. A
presença de hemácias, associado a leucócitos e
nitritos positivos, fala muito a favor de
infecção urinária, porém, o exame de certeza é a
urocultura.
A pesquisa do nitrito é feita através da reação
de Griess, que é o nome dado a reação do nitrito
com um meio ácido. Por isso, alguns laboratórios
fornecem o resultado como Griess positivo ou
Griess negativo, que é igual a nitrito positivo
e nitrito negativo, respectivamente.
j) Cristais no exame de urina:
Esse é talvez o resultado mais mal interpretado,
tanto por pacientes como por alguns médicos. A
presença de cristais na urina, principalmente de
oxalato de cálcio, não tem nenhuma importância
clínica. Ao contrário do que se possa imaginar,
a presença de cristais não indica uma maior
propensão à formação de cálculos renais.
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Ausência = menos que 10 mg/dL (valor normal) Traços = entre 10 e 30 mg/dL 1+ = 30 mg/dl 2+ = 40 a 100 mg/dL 3+ = 150 a 350 mg/dL 4+ = Maior que 500 mg/dL A presença de proteínas na urina se chama proteinúria, pode indicar doença renal e deve ser sempre investigada. O exame da urina de 24h é normalmente feito para se quantificar com exatidão a quantidade de proteínas que se está perdendo na urina. |
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Os únicos cristais com relevância clínica são:
- Cristais de cistina
- Cristais de magnésio-amônio-fosfato (estruvita)
- Cristais de tirosina
- Cristais de bilirrubina
- Cristais de colesterol
A presença de cristais de ácido úrico, se em
grande quantidade, também deve ser valorizada.
k) Células epiteliais e cilindros no exame de
urina:
A presença de células epiteliais é normal. São
as próprias células do trato urinário que
descamam. Elas só têm valor quando se agrupam em
forma de cilindro, recebendo o nome de cilindros
epiteliais.
Como os túbulos renais são cilíndricos, toda vez
que temos alguma substância (proteínas, células,
sangue...) em grande quantidade na urina, elas
se agrupam em forma de um cilindro. A presença
de cilindros indica que esta substância veio dos
túbulos renais e não de outros pontos do trato
urinário como a bexiga, ureter, próstata, etc.
Isto é muito relevante, por exemplo, nos casos
de sangramento, onde um cilindro hemático indica
o glomérulo como origem, e não a bexiga, por
exemplo.
Os cilindros que podem indicar algum problema
são:
- Cilindros hemáticos (sangue) = Indica
glomerulonefrite
- Cilindros leucocitários = Indicam inflamação
dos rins
- Cilindros epiteliais = indicam lesão dos
túbulos
- Cilindros gordurosos = indicam proteinúria
Cilindros hialinos não indicam doença, mas pode
ser um sinal de desidratação.
A presença de muco na urina é inespecífica e
normalmente ocorre pelo acúmulo de células
epiteliais com cristais e leucócitos. Tem
pouquíssima utilidade clínica. É mais uma
obervação.
Em relação ao EAS (urina tipo I) é importante
salientar que esta é uma análise que deve ser
sempre interpretada. Os falsos positivos e
negativos são muito comuns e não dá para se
fechar qualquer diagnóstico apenas comparando os
resultados com os valores de referência.
EAS (urina tipo I) normal
- Apenas como exemplo, o que segue abaixo é um
modelo de como os laboratórios apresentam os
resultados do exame sumário de urina. Este exame
está normal.
COR ---- amarelo citrino
ASPECTO ---- limpido
DENSIDADE ---- 1.015 (normal varia entre 1005 e
1030)
PH ---- 5,0 (normal varia entre 5,5 a 7.5)
EXAME QUÍMICO
Glicose ---- ausente
Proteínas ---- ausente
Cetona ---- ausente
Bilirrubina ---- ausente
Urobilinogênio ---- ausente
Leucócitos ---- ausente
Hemoglobina ---- ausente
Nitrito ---- negativo
MICROSCOPIA DO SEDIMENTO (sedimentoscopia)
Células epiteliais ---- algumas
Leucócitos ---- 5 por campo
Hemácias ---- 3 por campo
Muco ---- ausente
Bactérias ---- ausentes
Cristais ---- ausentes
Cilindros ---- ausentes
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