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Dê um tempo para o seu estresse
Para os que estão
entrando em “parafuso” com o estresse do dia a dia, uma das primeiras dicas
dos especialistas é procurar atividades que saiam da sua rotina. “Se você
não estimula todos os campos do cérebro, principalmente os que remetem aos
prazeres da vida, é provável que fique muito mais suscetível ao estresse”,
explica o psicólogo Julio César Silveira.
A dica de Silveira
é a meditação. Um dos efeitos comprovados é que ela estabiliza os níveis dos
hormônios adrenalina e cortisol, ligados ao estresse. “Além disso, reduz a
pressão arterial, os batimentos cardíacos e aumenta as ondas cerebrais do
tipo alfa e beta, associadas ao relaxamento”, afirma.
O melhor para você
Mas o que pode resolver para uns pode não exercer a
mesma propriedade para outros. A dentista Denise
Franchin Caceres, que se tornou dona de casa por opção,
considera-se ansiosa e agitada. E confessa que já tentou
vários métodos para ficar mais calma: acupuntura, ioga e
florais. Mas nem tudo deu certo. “Ioga, por exemplo, não
combina comigo, porque ficar algum tempo parada me dava
desespero”, conta.
Hoje, quando está estressada, para
o que está fazendo e vai produzir algo manual, como
pintar, que é um dos seus hobbies favoritos. “Isso
funciona bem para mim”, revela.
E ela acha que todos devem procurar algo que lhes
faça bem. “Às vezes uma caminhada, um jantar com os
amigos, enfim, algo que dê prazer. O importante é se
desligar da causa do estresse”.
Mas não
se
esqueça: caso nada disso adiante, busque uma
ajuda profissional, antes que os sintomas
desse
mal prejudiquem de vez sua saúde. Denise acredita que
muitas pessoas ainda têm algum tipo de preconceito em
relação à terapia e à psicanálise. “Acho uma excelente
alternativa quando você não encontra outra forma de
amenizar aquele estado. Até porque tudo começa com uma
pequena irritabilidade e depois nem você se aguenta e
essas reações podem transformar-se em um caminho sem
volta.”
Estresse, um
fenômeno que só aumenta
As
pessoas estão cada vez mais estressadas no
ambiente de trabalho. Basta olhar ao seu redor e
constatar que isso é um fato. E, é claro, esse
estado de humor estende-se para todas as esferas sociais.
Principalmente nas grandes cidades, por causa da
correria do dia a dia e do trânsito congestionado, que,
muitas vezes, leva as pessoas a ter dificuldade para
chegar a tempo ao seu destino. Uma pesquisa
realizada pela filial brasileiro da International Stress
Management Association (ISMA-BR), associação que estuda
prevenção e tratamento do estresse no mundo, aponta que,
apenas no ambiente de trabalho, 70% dos brasileiros
sofrem desse problema. Desses, 30% já
apresentam sintomas de
burnout, que é o estado constante de exaustão
física e mental.
Mas por que o estresse é tão
comum hoje? Segundo o psicólogo Julio César Silveira,
níveis elevados de competição e rivalidade, exigências
do meio profissional, social e da família, todos
esses estímulos podem levar a uma situação de
limite por parte da pessoa. E a sociedade moderna expõe
as pessoas a um número altíssimo dessas situações. “É
por isso que
esse
estado é denominado o mal do homem moderno”, diz.
Silveira explica, no entanto, que nem sempre é ruim.
"Tudo depende da reação que temos a
ele, ou seja, se é funcional ou disfuncional",
diz. Entende-se por funcional uma resposta que te deixa
mais atento ao ambiente e aquele momento. “Existem
pessoas, por exemplo, que agem melhor sob pressão. Essa
é uma característica.”
No entanto, se a resposta é disfuncional, outros
problemas de saúde podem aparecer em consequência disso.
Há desde os sintomas como gastrite, insônia e pressão
alta, até depressão, ataque cardíaco e até câncer. “Tudo
está relacionado à integração entre mente e corpo”,
afirma o psicólogo Ezra Vasconcelos.
E por que a doença é mais comum nas metrópoles?
Vasconcelos credita ao ambiente, que promove pressões
adicionais, como o trânsito, a poluição e o modo de vida
mais corrido. “Quem mora em cidade pequena e trabalha a
duas quadras de casa dificilmente sofre com isso”,
ressalta.
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